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segunda-feira, julho 16, 2018
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A menina dos patins

O Brasil inteiro passou dias a fio preso aos noticiários para saber onde estava a menina Vitória Gabrielly de Araçariguama; ficamos apreensivos e alguns de nós até acreditou que um milagre pudesse acontecer, sim;  porque somente um milagre seria capaz de tocar na alma da pessoa que a levou, a fim de libertá-la, e quem sabe dar um outro desfecho, um fim que não fosse trágico.

Fiquei imaginando a menina em transição, passando da infância para a pré adolescência de posse dos patins novos; o coração aos pulos quando o colocou pela primeira vez; o medo desafiador ao ficar em pé em cima das rodas; depois a segurança incerta ao andar só um pouquinho em cima deles e a vontade de desbravar espaços mais amplos.

Fiquei me questionando se no seu subconsciente ela temesse que algo ruim pudesse lhe acontecer em algum momento; esses pensamentos norteiam a minha mente por conta dos relatos da mãe dela; “ Vitória não ficava sozinha, onde eu fosse, ela me seguia”; ou a afirmação da mãe ao orientá-la dias antes do fatídico dia de seu desaparecimento; caso fosse abordada por um desconhecido, a garota ouviu da mãe  de como deveria agir , caso isso acontecesse; será que a mãe previu de modo inconsciente que tais fatos pudessem ocorrer?

A menina dos patins rosa foi vista pela última vez por câmeras de segurança e quando foi encontrada já estava sem vida; sua morte ainda não foi desvendada, tão pouco o que lhe ocorreu do momento em que foi pega ao trágico episódio de  sua morte.

Algumas pessoas dizem que estão de luto por sua morte; mas esse sentimento não é luto, é um sentimento de lamento; mas uma semana depois; vamos esquecer; não é correto dizer que estamos de luto; este sentimento cabe somente aos parentes mais próximos; apenas eles sentem de forma profunda e dolorida; aqueles que conviveram com seu cheiro;  sorriso e conquistas, seus medos e tantas outras coisas. A mãe que a gerou, o pai que a segurou… Sabe este tipo de luto que estou dizendo; a dor da ausência que não cessa nunca.

Existem tantas mistérios que norteiam nossas vidas, tantos pontos de interrogação sobre vida e a morte, existe este desenho, a menina dos patins que saiu daqui deste mundo de tantas coisas ruins e foi patinar nas nuvens do céu.

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