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terça-feira, novembro 19, 2019
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Em Jandira grupo se mobiliza para criar medidas de prevenção ao suicídio 

O mês de setembro se aproxima e falar de “Morte” não é um tema que alguém queira debater, por que fomos criados a bater na madeira ao mencionar a palavra, naturalmente que todos vamos morrer, um dia… é o ciclo natural da vida, nascer, viver e morrer, todavia em algumas situações é possível até nos prepararmos para a partida do nosso ente querido, como por exemplo nos casos de mortes naturais, quando a doença é  vivenciada por anos de sofrimento que culmina no óbito, neste caso olhamos a situação de maneira resignada até, e utilizamos aquelas famosas frases “fulano descansou” ou ainda “ coitado, estava sofrendo tanto”, o deixar partir só é possível porque nosso amor está acima de nosso egoísmo, já que é muito difícil ver quem amamos sofrendo terrivelmente. 

 

No caso de acidentes ou desastres naturais ou seja, tudo que foge a qualquer possibilidade de reagirmos é igualmente aceito porque não tem outro remédio. Um outro tipo de  morte são as ocasionadas pela violência urbana, neste caso, a família é pega de surpresa e ainda tem que lidar com as inúmeras notícias veiculadas na mídia sensacionalista, o que causa ainda mais dor aos familiares e  no coletivo, provoca sentimentos de revolta e indignação.

 

Ainda no campo vida e morte,  existe um outro tipo, as ocasionadas pelo “Suicídio”  este último é algo terrível de aceitar, é um assunto tão delicado e cheio de tabu, que nos causa receio de falar a respeito, a família da pessoa que comete o  suicídio se fecha em seu luto eterno, sentimentos de culpa e perguntas sem respostas pairam por um longo tempo.  

 

É preciso discutir o tema, por mais tenso, pesado e difícil que seja,  nós precisamos nos unir e traçar urgentemente medidas de prevenção ao suicídio e amparo aos sobreviventes (nome dada aos familiares que vivenciam o luto de um familiar que cometeu suicídio). A prevenção é o caminho para lidar com o problema, o mundo está doente emocionalmente e  não é de hoje e muitos alertam para esta pandemia nefasta, mas o que efetivamente estamos fazendo a respeito? 

 

A Organização Mundial da Saúde – OMS,  relata que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo, para ter dimensão do fato; observe o seguinte; 03 minutos é o tempo deste texto lido calmamente até este ponto, ou seja, neste breve espaço de tempo 04 pessoas tiraram a própria vida e de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria 90% dos casos de suicídio estão associados a patologia de doenças da mente que são diagnosticáveis  e tratáveis.    

 

Os problemas emocionais mais associado ao suicídio são transtorno de humor (depressão), dependência de álcool e outras drogas (lícitas ou ilícitas) esquizofrenia e transtornos de personalidade, isto não quer dizer que todas as pessoas com estes diagnóstico cometerão suicídio, mas infelizmente muitos não chegam sequer a buscar atendimento médico.  

 

No município de Jandira, por ser um município pequeno,  casos de suicídio acabam chegando ao conhecimento de um grande número de pessoas, as redes sociais são responsáveis por esta divulgação, elas causam comoção; todavia são rapidamente esquecidas, diante disto um grupo de pessoas, todas elas com participação direta ou indireta com a questão,  decidiu que é necessário enfrentar o problema de frente, não dá para continuar de braços cruzados penalizados com a situação e seguir com vida como se o “outro” não fizesse parte de um todo, compreendendo esta questão uma atividade será marcada e brevemente vamos conhecer cada um dos integrantes que compõem este grupo. 

 

Existem muitas questões que devem ser debatidas com o poder público e a sociedade civil, como por exemplo, quais são as medidas que o  município oferece para tratar a questão do suicídio e as doenças mentais? Que tipo de apoio é oferecido a família deste suicida? Como acolher e debater o problema? Há um estudo sobre o número de casos? O profissional de saúde está habilitado no atendimento deste paciente? Os pacientes atendidos com tentativas suicídio são acompanhados?  Existem profissionais suficientes para atender às urgências no âmbito de transtornos mentais? O que nós da Comunidade podemos fazer para colaborar com esta questão? Existem políticas educacionais de prevenção ao Suicídio ou até mesmo orientação para que docentes possam lidar com a questão? 

  

A pergunta é, se 90% dos casos está associado a doenças da mente, isso quer dizer que os suicídios poderiam ser evitados? Se há este entendimento, no Brasil há medidas de prevenção nas esferas municipais,  estaduais e federal? 

Estas são questões que precisam ser debatidas e não podemos nos esquivar. 

 

“Façamos a seguinte analogia, imaginemos que o  planeta em que vivemos seja um navio no meio de uma tempestade, algumas pessoas se desesperam e outras se agarram como podem para não cair,  a embarcação é resistente e aguenta o tranco, no entanto, é preciso segurar firme um na mão do outro até que a tempestade se acalme, é isto que estamos fazendo com a formação deste grupo Mãos pela Vida,  segurando um na mão do outro firmemente e quanto maior o número de pessoas, maior a certeza de que tudo ficará bem”  

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